Entre Brasil e Áustria: o que aprendi empreendendo à distância

Entre Brasil e Áustria: o que aprendi empreendendo à distância

Quando decidi me mudar para a Áustria, em outubro de 2024 (em função do trabalho do meu marido), muita gente me perguntou: “E o que você vai fazer com a Amalie?”

A resposta inicialmente pareceu simples: tudo continua! Mas, ao mesmo tempo, complexa, pois nem eu sabia direito como. Depois de 1 ano e 4 meses aqui, posso dizer: ela não só continuou, ela amadureceu.

Amadurecer é incrível e desafiador. Mas, se empreender já envolve desafios todos os dias (sim, sem exageros), empreender de outro país exige ainda mais confiança e estrutura.

Hoje eu divido minha rotina entre dois mundos: acordo na Europa, organizo aquilo que é possível realizar sem interações enquanto o Brasil ainda está dormindo e acompanho o dia da empresa à distância, cinco horas à frente do fuso brasileiro.

Funciona? Sim.
Mas não por acaso.

1. Ter uma sociedade forte faz toda a diferença

A primeira coisa que tornou isso possível foi ter uma sócia presente e alinhada no Brasil. A Carol, além de minha grande amiga desde os tempos de FGV, está presente na Amalie desde o início. Ela foi nossa primeira cliente, conselheira e, no ano passado, tornou-se oficialmente sócia.

Mais do que um “casamento de papel passado”, a Carol transformou esse sonho no sonho dela também.

Como é importante ter alguém para dividir decisões difíceis, pensar o crescimento juntas e garantir presencialmente que tudo está acontecendo como acreditamos. Isso, com certeza, mudou o nível da empresa.

Todas as grandes transformações que vivemos em 2025 nasceram dessa parceria.

2. Processos que sustentam

Acredito que organização facilita a vida em qualquer aspecto. Quando se trabalha à distância, então, improvisar pode trazer muitos riscos.

ERP, organização financeira, site estruturado, comunicação alinhada. Tudo isso permite que a empresa funcione de forma assíncrona. Não se trata de burocratizar, mas de ter clareza e não perder tempo com aquilo que não é necessário.

Acredito que processos não sejam sobre engessar a estrutura, mas sobre ter mais previsibilidade e confiança naquilo que se está construindo.

3. O lado emocional

Também existe um lado mais silencioso nessa escolha. A vontade de estar perto quando as coisas dão errado e, principalmente, quando dão muito certo.

Não estar presente fisicamente em eventos marcantes, datas comemorativas e desafios enormes muitas vezes traz a sensação de estar “fora” da cena.

É importante não deixar esse lado dominar e voltar a atenção ao que importa, confiando na equipe, na sua sócia e, principalmente, em você mesma.

Um novo capítulo

Essa nova configuração Brasil–Áustria trouxe mais maturidade e confiança.

A marca nasceu e cresceu no Brasil. Mas agora começa, com muito cuidado e estrutura, a atravessar fronteiras.

Ainda estamos organizando esse próximo passo com responsabilidade e intenção.
Mas ele já começou.

E talvez essa seja a maior lição de empreender entre dois países:
crescimento não acontece no impulso - acontece na construção, “um tijolo por dia”, como costumamos dizer aqui.


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